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Dia Internacional da Mulher: temos o que comemorar?

Adooooro começar nosso bate-papo com uma provocação.

Geralmente eu espero uns minutos de um silêncio estratégico e aí as pessoas constroem seus próprios raciocínios.

Mas aqui, como fui eu quem resolveu escrever esse artigo, não tenho como esperar a sua interação pra trazer a resposta, ou melhor, as respostas. Mas, espero muito ler sua opinião nos comentários, hein? Hahahaha.

Então, voltando à pergunta instigante do começo, a minha resposta é não e sim. Ops, “como assim, Ana? Não e sim não é resposta!” KKKKKK. Calma! Vou te mostrar porque não posso ser binária nessa questão.

Vou começar com alguns exemplos que justificam o meu sim, pra você ficar bem feliz:

- Tivemos a eleição da Kamala Harris, primeira mulher negra na vice-presidência de uma das maiores potências mundiais, os Estados Unidos. Já falei sobre isso aqui, quer ver? https://www.linkedin.com/pulse/o-que-significa-ter-uma-mulher-negra-na-de-das-maiores-ana-minuto/

- A pesquisadora, professora e imunologista brasileira, Ester Sabino liderou a equipe da Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (IMTP-USP) que fez o sequenciamento do genoma do Sars-Cov-2 e a biomédica brasileira, negra, Jaqueline Gomes de Jesus, coordenadora da equipe do IMTP-USP sequenciou o genoma do novo coronavírus.

- A presidente da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, tem se destacado na gestão da crise sanitária mundial. O país sob sua batuta apresenta números muito diferentes da maioria, até 27 de fevereiro, somava 26 mortes pela doença no país de cinco milhões de habitantes.

- Três mulheres negras fantásticas fundaram o coletivo antirracista Black Lives Matter em 2013, que teve uma grande influência nas manifestações após o assassinato de George Floyd. As fundadoras são: Opal Tometi, Alicia Garza e Patrisse Cullors.

- Luíza Trajano tem se mostrado uma grande aliada da luta antirracista. Em 2020, ela se tornou a primeira mulher a integrar a lista dos mais ricos do Brasil.

- A nigeriana Okonjo-Iweala se tornou a primeira mulher e africana no comando da OMC. Disso também eu falei aqui. Confira: https://www.linkedin.com/pulse/mulher-preta-60-vai-assumir-omc-e-eu-fico-como-ana-minuto


Como eu disse acima, esse são apenas alguns exemplos que nos mostram que sim, temos motivos para comemorar o Dia Internacional da Mulher. Porém, nem tudo são flores. Lamento informar que também temos alguns pontos que nos levam a não ter o que vibrar. Sorry, mas essa é a verdade, hahaha. Veja:

- O LinkedIn e a consultoria de inovação social Think Eva divulgaram um relatório que mostra que quase metade das mulheres entrevistadas já tiveram que enfrentar assédio sexual no ambiente de trabalho.

- A proporção de mulheres nos conselhos no Brasil é bem pequena, tem somente 12,4% das 73 empresas brasileiras que compõem o Ibovespa. E tem um detalhe: apenas duas delas têm mulheres na presidência do conselho, o Magazine Luiza e CCR, mas as duas são da família que fundou as companhias.

- A RME e o Instituto Locomotiva divulgaram uma pesquisa que mostrou que a pandemia levou ao fechamento de 39% dos negócios comandados por mulheres.

- Uma mulher é morta a cada nove horas durante a pandemia no Brasil, segundo monitoramento Um Vírus e Duas Guerras, feito por uma parceria entre sete veículos de jornalismo independente, que visa monitorar a evolução da violência contra a mulher durante a pandemia. E o pior, nos estados onde é feito o recorte de raça, a grande maioria das vítimas são as mulheres negras.

- A cada 2 dias uma mulher trans é assinada no Brasil, segundo a Antra. Em sua maioria, as vítimas eram negras e pobres. E, infelizmente, encabeçamos a lista dos países que mais matam pessoas trans no mundo.

Viu só? Temos motivos para brindar a data, mas ainda há muito a ser feito. Ainda carecemos de muitas mudanças estruturais. Então, sigamos na luta!


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