top of page

Ficar sem censo em 2021 é um verdadeiro contrassenso.


Pois é. Lemos, estarrecidos, a publicação no Diário Oficial da União que apresentava o veto presidencial reduzindo a verba destinada ao Censo Demográfico de 2021 de R$ 71 para R$ 53 milhões.

Essa verba não é suficiente nem mesmo para a fase preparatória da pesquisa desse ano e ainda há uma incerteza sobre o Censo 2022. Isso significa o risco de um atraso de três anos nos dados demográficos do nosso país. Em 2020 não foi feito em razão da pandemia, quando a verba que seria para o recenseamento fora destinada para o combate à COVID-19. Em 2021 não será feito em razão da verba e 2022 ainda é uma dúvida.

Em um período de uma crise sanitária sem precedentes como o que estamos enfrentando, políticas públicas precisam ser planejadas e efetivadas. Afinal, pessoas de grupos minorizados estão sendo as mais prejudicadas nesse momento.

E para que qualquer política pública seja implementada, os dados são fundamentais, seja para entender o tamanho do desafio, para estabelecer metas e até mesmo para acompanhamento.

Ora, se não temos o censo demográfico, como saberemos para onde e como conduzirmos os esforços? É dessa pesquisa que saem todos esses insumos. Sem ela, seria o mesmo que decidir fazer uma viagem sem saber o destino. Não saberíamos quais roupas colocar na mala, nem quanto de dinheiro seria preciso levar, por exemplo.

O IBGE e seu censo são fundamentais para o Brasil, seja para direcionar ações, para mapear o cenário ou para apontar caminhos para o poder público. Paradoxalmente, o próprio poder público reduziu significativamente a verba do órgão.

Como funciona o censo?

O censo é realizado por meio de entrevistas domiciliares, em sua maioria. Os entrevistadores saem a campo de posse de uma série de perguntas que fazem aos moradores da casa. Essas perguntas vão desde número de residentes, nível educacional, socioeconômico, além do acesso a serviços públicos.

Além de nortear as políticas públicas, para quê mais o censo serve?

Serve também para fazer a contagem da população e assim fazer a divisão do orçamento da União para os governos estaduais e municipais. E não para por aí. Essa contagem populacional é também responsável por definir o número de deputados federais e estaduais em cada estado e o número de vereadores em cada município.

E o que aconteceu com a cúpula do IBGE?

Pois é, diante dessa situação, tivemos perdas também em termos de representatividade, já que essa redução no valor de destinado para o Censo foi decisiva para que Susana Cordeiro Guerra deixasse o comando do IBGE. Para substituí-la, assumiu um homem, Eduardo Luiz Gonçalves Rios Neto, que era diretor de Pesquisas do Instituto.

Agora me conta, é ou não é no mínimo um contrassenso ficarmos sem essa pesquisa em um momento tão importante?

Ana Minuto

Posts recentes

Ver tudo

Comentários


bottom of page