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Tokenismo: cuidado para não cair nessa cilada!



Você já ouviu falar sobre esse termo?

O tokenismo é a prática de escolher um punhado de indivíduos socialmente sub-representados, como um esforço superficial para parecer diverso e representativo, com o intuito de proteger a imagem da empresa ou a imagem pessoal, mas que a longo prazo não se sustenta.

É uma inclusão simbólica e os benefícios são rasos para os grupos minorizados.

A origem dessa expressão é na palavra “token”, que em inglês significa “símbolo”. Isso quer dizer que a pessoa está naquele espaço simbolizando todo um grupo.

Quem usou primeiro esse termo foi Martin Luthter King, em um artigo publicado em 1962, que diz:

“A noção de que a integração por meio de tokens vai satisfazer as pessoas é uma ilusão. O negro de hoje tem uma noção nova de quem é”.

Esse trecho é uma crítica potente que nos mostra que o tokenismo tenta trazer uma ideia de vanguarda, dando a falsa impressão de diversidade, mas na realidade não passa de uma prática baseada em preceitos do passado, um passado marcado pela exclusão e preconceito contra a população preta e de outros grupos sub-representados.


Quem vive uma situação de tokenismo passa por uma pressão, sobretudo interior, enorme. Confira alguns impactos:

- Sentimento de culpa por não ser capaz de representar todo um grupo ou ser especialista e ter todas as respostas.

- Sensação de impotência por não poder impactar a prestação de serviços a comunidades minorizadas.

- Sentimento de inadequação por ter de assumir o papel de porta-voz de uma comunidade inteira.

- Desmoralização depois de perceber que há uma expectativa de que se ofereça treinamentos e/ ou consultorias, sobre determinada parcela da sociedade, o que representa uma falta de

comprometimento institucional com a responsabilização cultural.


E como identificar uma situação de tokenismo?

Uma das formas é olhar para o seu ambiente de trabalho e observar o número de negros, de gays, de lésbicas, de pessoas trans, de PCDs e outros. Se encontrá-las, veja qual posição eles ocupam na hierarquia da empresa.

Outra forma é fazer o bom e velho teste do pescoço em todos os ambientes de poder que você frequentar. Para isso, observe as mesmas questões que acabei de citar acima.


Por fim, vale lembrar que diversidade é sobre inclusão significativa.

Diversidade é a disposição de mudar a cultura de uma organização com a contribuição de pessoas diferentes.

Diversidade é trazer para a sua organização pessoas de grupos sub-representados e criar um ambiente de inclusão tal que elas se sintam valorizadas, ouvidas e bem remuneradas.

Diversidade não é caridade e nem ativismo, é estratégia, é resultado.

Ana Minuto

Ceo Minuto Consultoria Empresarial & Carreira


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