Tokenismo: cuidado para não cair nessa cilada!
- Ana Minuto

- 19 de jul. de 2022
- 2 min de leitura
Você já ouviu falar sobre esse termo?
O tokenismo é a prática de escolher um punhado de indivíduos socialmente sub-representados, como um esforço superficial para parecer diverso e representativo, com o intuito de proteger a imagem da empresa ou a imagem pessoal, mas que a longo prazo não se sustenta.
É uma inclusão simbólica e os benefícios são rasos para os grupos minorizados.
A origem dessa expressão é na palavra “token”, que em inglês significa “símbolo”. Isso quer dizer que a pessoa está naquele espaço simbolizando todo um grupo.
Quem usou primeiro esse termo foi Martin Luthter King, em um artigo publicado em 1962, que diz:
“A noção de que a integração por meio de tokens vai satisfazer as pessoas é uma ilusão. O negro de hoje tem uma noção nova de quem é”.
Esse trecho é uma crítica potente que nos mostra que o tokenismo tenta trazer uma ideia de vanguarda, dando a falsa impressão de diversidade, mas na realidade não passa de uma prática baseada em preceitos do passado, um passado marcado pela exclusão e preconceito contra a população preta e de outros grupos sub-representados.

Quem vive uma situação de tokenismo passa por uma pressão, sobretudo interior, enorme. Confira alguns impactos:
- Sentimento de culpa por não ser capaz de representar todo um grupo ou ser especialista e ter todas as respostas.
- Sensação de impotência por não poder impactar a prestação de serviços a comunidades minorizadas.
- Sentimento de inadequação por ter de assumir o papel de porta-voz de uma comunidade inteira.
- Desmoralização depois de perceber que há uma expectativa de que se ofereça treinamentos e/ ou consultorias, sobre determinada parcela da sociedade, o que representa uma falta de
comprometimento institucional com a responsabilização cultural.
E como identificar uma situação de tokenismo?
Uma das formas é olhar para o seu ambiente de trabalho e observar o número de negros, de gays, de lésbicas, de pessoas trans, de PCDs e outros. Se encontrá-las, veja qual posição eles ocupam na hierarquia da empresa.
Outra forma é fazer o bom e velho teste do pescoço em todos os ambientes de poder que você frequentar. Para isso, observe as mesmas questões que acabei de citar acima.
Por fim, vale lembrar que diversidade é sobre inclusão significativa.
Diversidade é a disposição de mudar a cultura de uma organização com a contribuição de pessoas diferentes.
Diversidade é trazer para a sua organização pessoas de grupos sub-representados e criar um ambiente de inclusão tal que elas se sintam valorizadas, ouvidas e bem remuneradas.
Diversidade não é caridade e nem ativismo, é estratégia, é resultado.
Ana Minuto
Ceo Minuto Consultoria Empresarial & Carreira


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