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Vidas pretas importam! Mas... até que ponto?


O episódio trágico, ocorrido com George Floyd, nos EUA, comoveu o mundo todo e deu um destaque importante para o Movimento Black Lives Matter – Vidas Pretas Importam, em português. Pessoas do mundo todo têm se manifestado, seja nas ruas, seja nas redes sociais em prol do antirracismo e isso é muito importante e necessário. Mas não é suficiente se as ações se restringirem a isso.

Neste artigo quero trazer uma reflexão sobre uma parte não tão romântica e perfeita dessa luta que travamos diariamente. Afinal, como fazer com que as vidas pretas realmente sejam importantes para a sociedade no dia a dia das cidades, das famílias e das empresas? Vamos conversar!

O movimento Black Lives Matter não começou agora

Quero começar elucidando uma questão sobre o movimento Black Lives Matter, que, ao contrário do que muitos pensam, não surgiu com o assassinato de George Floyd. Veja, a seguir, um pouco da história desse movimento.

História do movimento Black Lives Matter

O Black Lives Matter surgiu em 2013, nos EUA, após a absolvição de George Zimmerman no caso de assassinato a tiros do jovem negro Trayvon Martin. Desde então, o movimento tem lutado contra os casos de agressões policiais realizados constantemente junto à população afrodescendente em diferentes locais pelo mundo.

Repercussão após a morte de George

Em meio à pandemia da COVID-19, o BLM voltou a tomar os holofotes após a divulgação de um vídeo onde George Floyd foi morto, por asfixia, por um policial branco. O caso gerou grande comoção e deu ainda mais visibilidade e força ao movimento, que conseguiu reunir milhares de pessoas em diversos países em protestos marcantes.

Desta vez, um grande diferencial foi a adesão da própria polícia, em vários dos protestos, que se solidarizou e demonstrou entender a importância do combate à violência policial contra as pessoas pretas.

Muito além de postagens nas redes sociais

As redes sociais se tornaram a principal voz das pessoas e das organizações. O uso da #blacklivesmatter, ou #vidaspretasimportam, ajuda a divulgar e fortalecer o movimento antirracista, mas é apenas uma entre várias ações.

Em primeiro lugar, porque não são apenas os policiais que exercem a força contra pessoas negras. A violência está presente em todos os lugares e das formas mais diversas. Desde a agressão física, visível e facilmente identificável, até a psicológica, alimentada dentros dos lares e das empresas em pequenos gestos cotidianos.

Colocar um post totalmente preto em um dia específico ou usar uma hashtag é um começo, mas está longe de ser suficiente no combate ao racismo estrutural no Brasil.

Muito além de ir às ruas e se expor

Ir às ruas é um ato lindo, que dá força a um movimento e ajuda a afirmar um posicionamento político e social. Levar cartazes, faixas, gritar palavras de ordem, tudo isso é importante e precisa ser feito, mas também não é suficiente.

O que muitas pessoas ainda não conseguiram compreender é que essas manifestações deveriam ser um resultado de uma indignação e não um palanque para a imagem pessoal frente à sociedade. Você não deve querer parecer antirracista, você precisa ser antirracista e isso vai exigir muito mais do que postagens e participações em passeatas.

Até que ponto as vidas pretas realmente importam?

Tudo bem, Ana, então você está dizendo que não adianta nada participar de ações nas redes sociais e nas ruas? Óbvio que não! Muito pelo contrário, essas iniciativas precisam do apoio e da participação de todos para fortalecerem o movimento antirracista como um todo.

O que precisa ficar muito bem compreendido é que existem várias outras atitudes, muito mais simples ou próximas, que contribuem de forma mais efetiva no cotidiano e na convivência entre pessoas de várias etnias. Reflita sobre as questões abaixo.

O que você faz com o seu privilégio?

Não temos a capacidade de escolher como ou onde vamos nascer, que tipo de estrutura social será nosso suporte inicial ou quais vantagens nos serão dadas, mesmo sem que a gente peça por elas. Mas cada pessoa pode compreender o seu lugar na sociedade, o quão privilegiado é e, principalmente, como agir em relação a isso.

Eu, mulher, negra e periférica, não tive as mesmas condições e oportunidades que boa parte dos meus colegas de faculdade, por exemplo. Contudo, o simples fato de eu ter conseguido cursar o ensino superior me coloca em uma posição privilegiada em relação a muitos pretos e pretas do país.

Entenda que você não tem culpa de ter nascido branco, ou homem, ou hétero, ou cisgênero, ou rico ,mas, se beneficia do racismo estrutural, sendo assim é responsável por transformar a lógica atual . Baseado neste fato Mas pense, o que você tem feito em benefício de quem não nasceu com os mesmo privilégios que o seu? Como você pode contribuir? Isso nos leva à próxima questão.

O quão disposto você está de abrir mão?

Aqui as coisas começam a ficar mais sérias, porque o racismo é um sistema opressor, que gera desigualdades. Para combatê-lo, é preciso fazer algo similar ao que faz o Robin Hood, dos livros infantis: uma redistribuição de “privilégios”.

Você pode começar com coisas muito simples, tais como passar a comprar o que precisa em estabelecimentos de pessoas pretas ou incluir mais pessoas pretas em seu círculo de amizades. Atitudes que fazem diferença para a comunidade preta e que não exigem tanto esforço ou cessão de outras etnias, principalmente a branca.

Se você deseja ir mais a fundo no antirracismo, saiba que estará abrindo mão de alguma coisa, com certeza. O sistema de cotas, por exemplo, é uma reparação do estado, mas ainda há pessoas que acreditam que os negros estão tirando os lugares dos brancos por causa da iniciativa. Esteja disposto a compartilhar seus privilégios com quem precisa de oportunidades.

Até onde o seu ego pode ceder?

Chegamos ao ponto mais delicado e necessário dos questionamentos. Até que ponto você consegue ajudar uma pessoa preta a se desenvolver em sua vida profissional e pessoal? Em sua cabeça, existe um limite? Uma pessoa preta pode ganhar mais que você? Pode ocupar um cargo mais alto do que o seu? Pode ter uma casa maior? Pode viajar mais do que você?

Não pense que essas perguntas são extremas, pois não são. Imagine uma pessoa preta que você conheça em posições de destaque na sociedade. Bem sucedida em sua profissão, estabelecida em uma classe social melhor. O quanto isso te incomoda?

As vidas pretas importam, mas até que ponto elas realmente têm valor para você? Até que ponto você é capaz de lutar contra o racismo? Reflita sobre o movimento Black Lives Matter, sobre o movimento Black Money e sobre todas as iniciativas que fomentam a comunidade negra no Brasil. Entre para essa luta de coração aberto, disposto a fazer do mundo um lugar melhor para todas as pessoas. Lembre-se a história vai te cobrar !Você tem algumas alternativas ; entrar para o grupo dos 2% que fazem a história ou dos 13% que ajudam a fazer a história ou dos 78% que não fazem nada ,pois, acreditam que o racismo e a desigualdade não são problemas delas !

Faça uma escolha, tome uma posição e faça o que é certo independente se você ganhara com isto ou não , pois pode ter certeza que se fizer o certo todos ganharam.

O que achou desta reflexão? O quanto ela ajudou você a compreender melhor a luta antirracista? Deixe um comentário e compartilhe suas experiências!

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