Mulher preta, 60+ vai assumir a OMC e eu fico como?
- Ana Minuto

- 26 de dez. de 2022
- 2 min de leitura
Hahahaha. Quem me conhece sabe o quanto meu coração fica em festa quanto eu leio uma notícia dessas. Abro o meu sorriso gigante, estufo e peito e penso: sim, nós podemos (qualquer semelhança é mera coincidência, kkkkk).
Pois é, a nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala vai assumir, aos 66 anos, Organização Mundial do Comércio, instituição responsável por regular as ações comerciais entre 164 nações, dentre eles o Brasil.
Para além de toda a simbologia desse momento, uma coisa precisa ser evidenciada: em momento nenhum foi preciso “baixar a régua para que a nigeriana tivesse acesso a essa posição. Sabe por quê?
Porque Ngozi Okonjo-Iweala foi ministra das Finanças da Nigéria, formada em Harvard e com doutorado em Economia Regional e Desenvolvimento pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts.
Porque ela iniciou sua carreira no Banco Mundial, em 1982 e chegou até a vice-presidência da instituição. Foram 25 anos dedicados ao banco, supervisionando um portfólio de US$ 81 bilhões.
Porque, pioneira, Ngozi foi a primeira mulher da Nigéria a comandar os ministérios das Finanças e das Relações Exteriores.
Porque ela foi presidente da a Aliança Global para Imunização e Vacinação e liderou um dos programas da Organização Mundial da Saúde de luta contra a COVID-19.
E como todas as mulheres negras ao redor do mundo, a vida não foi fácil para a futura número 1 da OMC. Ela assistiu a uma guerra civil quando era adolescente e viu, nessa época, o sequestro de sua própria mãe, mas não sem lutar. Como ela mesma disse "fiz tudo o que uma menina de aldeia faria. Eu vi o que significava pobreza”.
Nigozi carrega, com orgulho, o título de “encrequeira” (e eu me enxerguei muito no que ela diz sobre isso, hahahaha). Vejam o que ela escreveu em seu livro “Reformando o irreformável”: “Se eu for considerada um problema para o sistema por causa do meu desejo de limpar nossas finanças públicas e trabalhar por uma vida melhor para os nigerianos, então que assim seja”.
Um dos seus principais planos na OMC é revigorar os 164 membros e reverter a situação mais crítica que a organização enfrenta em toda a sua história.
Alguém tem dúvida sobre se ela vai conseguir? Eu não.
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